Cinco Mitos da Alimentação Equina DerrubadosBy Kentucky Equine Research Staff · September 27, 2011
Como os antigos, os homens do cavalo de outrora gostam de contar histórias. Com elas, vêm porções de conselhos sobre alimentação – às vezes úteis, às vezes nem tanto. Kathleen Crandell, Ph.D., veterana nutricionista do Kentucky Equine Research, separa o conhecimento do absurdo para proprietários de cavalos ao redor do mundo. As explicações dela para cinco equívocos comuns seguem abaixo.
Em questão: Concentrados ou grãos devem formar a base da dieta equina, e o feno é secundário.
Os cavalos evoluíram em pradarias, espaços abertos que ofereciam uma variedade de vegetação de onde se retirar o alimento. Desta forma, o trato digestivo eqüino é feito para digerir forragens e obter energia destas plantas.
A necessidade energética de certos cavalos, particularmente os de raças conhecidas por um índice metabólico baixo, pode ser satisfeita somente pela forragem.
“A maioria dos cavalos consome entre 1,8 e 2,2% de seu peso vivo em alimento por dia. A forragem deveria compor a maioria desta quantidade. O requerimento mínimo de forragem para qualquer cavalo é de 1% de seu peso vivo. Portanto, um animal de 500 quilos necessitaria de 5 kg de forragem por dia,” explica Crandell. ”Apenas algumas circunstâncias isoladas requerem um consumo tão pequeno de forragem, por isso um consumo mínimo recomendado de forragem mais sensato gira em torno de 1,5% do peso vivo por dia.”
Algumas categorias de equinos podem consumir mais. Éguas em lactação, por exemplo, podem consumir 3 a 5% de seu peso vivo no pico da lactação. À medida que a quantidade total de consumo por quilo de peso vivo aumenta, a porcentagem desta quantidade composta de forragem também deveria aumentar. Uma regra básica seria fornecer pelo menos 50% do peso da dieta total em forragem.
Os concentrados não devem ser desprezados para os cavalos que precisam dele. A escolha do concentrado adequado para cada indivíduo pode ser crucial para o uso eficaz das forragens e para o correto balanceamento da dieta.
Em questão: Há que diga que Feno de Alfafa é bom para vacas, não cavalos.
A alfafa é uma forragem útil no manejo dos cavalos, e em algumas partes do mundo, é um alimento fundamental. As vantagens do feno de alfafa são numerosas: a maioria dos cavalos gosta do sabor, então costumam limpar o cocho; é um alimento rico em energia; tem propriedades curativas para úlceras; e, além disso, podem vir na forma de cubos e pellets.
Crandell diz, “Comparado ao feno de gramíneas (Coast-cross, Tifton etc.), o feno de alfafa é mais rico em energia, proteína e certos minerais, principalmente Cálcio. Categorias específicas de equinos são beneficiadas pelo fornecimento de alfafa, incluindo aquelas com requerimentos de energia maiores, como potros em crescimento, éguas em lactação, cavalos em idade avançada e alguns cavalos atletas. Por causa da sua boa palatabilidade, a alfafa também costuma ser oferecida a cavalos em recuperação de doenças ou que têm apetite limitado.”
Como acontece com todos os fenos, existe uma grande variação de qualidade no feno de alfafa. A maioria dos cavalos consegue extrair benefícios de um feno de alfafa de média qualidade.
A alfafa pode não ser adequada para todo cavalo, mas a preocupação de que a alfafa seja muito forte de forma geral não tem fundamento, uma vez que muitos cavalos requerem o aumento dos nutrientes que esta leguminosa fornece, destaca Crandell.
Em questão: O milho é um alimento quente e mantém meu cavalo aquecido no inverno.
Apesar do milho ser um ingrediente útil nas rações eqüinas, ele não é muito diferente de outros grãos cereais como a aveia e a cevada. A fonte de energia em todos os grãos cereais é o amido, e uma vez que o amido é quebrado e absorvido pela corrente sanguínea, o organismo não diferencia de que fonte é o amido.
Entretanto, existem diferenças entre os grãos quanto à quantidade de amido que eles contêm. “O milho tem mais amido que a aveia. Ele pode chegar a ter 67-77% de amido, enquanto a aveia pode ter de 34-54%. O milho também é mais denso, de modo que quando o conteúdo energético de um mesmo volume é comparado, o milho tem cerca de 30% mais calorias que a aveia,” explica Crandell. “E, quando um mesmo peso é fornecido, a diferença é de aproximadamente 15%. Portanto, ao fornecer milho, os proprietários podem estar oferecendo mais calorias do que pensam, o que pode explicar a impressão de que o milho promove uma hiper-excitabilidade nos cavalos.”
O consumo de milho não aumenta o calor corporal mais acentuadamente que o consumo de qualquer outro grão cereal. A maioria do calor interno produzido pelos cavalos é devido à fermentação de forragens no intestino grosso. Se o milho atinge o intestino grosso e fermenta, a quantidade de calor produzida é mínima em comparação à da fermentação da fibra da forragem.
Seria ideal que o milho, quando fornecido em grande quantidade aos equinos, fosse termo-tratado (peletizado, floculado, micronizado, extrusado) para melhorar a digestibilidade do amido no intestino delgado e evitar alterações na população microbiana do ceco.
Em questão: Proteína é a raiz de todos os males, e toda a precaução deve ser tomada para evitar excessos na dieta.
A proteína é um nutriente vital para todos os cavalos, e suas funções no organismo são muitas. A deficiência de proteína pode ser causada por uma dieta de feno de má qualidade em conjunto com pouco ou nenhum concentrado. A deficiência protéica é caracterizada pela atrofia muscular, dificuldades de atenção e uma falta generalizada de energia. Alguns cavalos deficientes em proteína apresentam uma distinta perda de musculatura ao longo do dorso, com ossos da coluna e da bacia proeminentes.
“A proteína não é uma fonte de energia eficiente. Se houver escolha, o organismo prefere usar outros nutrientes para gerar energia, como os carboidratos e as gorduras”, diz Crandell. Em uma dieta deficiente em energia, o organismo removerá tecido muscular e utilizará a proteína para gerar a energia necessária ao abastecimento do corpo.
Os cavalos são adaptados para digerir proteína, então não há motivo para se preocupar com efeitos adversos sobre a função renal. O Nitrogênio é o subproduto da digestão protéica, e ele é filtrado pelos rins e excretado do organismo. Por causa da excreção excessiva de Nitrogênio na urina, um forte odor de amônia pode acompanhar uma dieta rica em proteína. Muitos cavalos que consomem dietas com alta proteína também bebem mais água que o normal, o que aumenta a produção de urina.
“Com relação ao crescimento, não existe evidência de que doenças ortopédicas do desenvolvimento (DODs) são causadas em potros devido a excessos de proteína,” comenta Crandell. Uma dieta balanceada revista por um nutricionista eqüino irá garantir que os jovens equinos sejam nutridos adequadamente para um crescimento seguro e constante.
Em questão: Os índices de fornecimento nos rótulos das embalagens de ração são exagerados, e o meu cavalo passa muito bem com apenas um punhado de ração por dia.
Os fabricantes de ração calculam os índices de fornecimento para refletir o nível de enriquecimento do alimento. O enriquecimento é a quantidade de proteína, minerais e vitaminas adicionadas à ração de forma a torná-la apropriada nutricionalmente para a categoria equina à qual se destina. Fornecer apenas um “punhado” de ração resultará em um baixo aporte de calorias e nutrientes.
“Se os cavalos não consumirem o mínimo recomendado por dia, eles não receberão um aporte adequado de nutrientes. Por exemplo, suponhamos que um cavalo precise de 2 miligramas de Selênio por dia. O índice de fornecimento recomendado de uma ração determinada resulta em 2 kg, e que estes 2 kg fornecem os 2 miligramas de Selênio necessários. Se apenas 0,5 kg for fornecido, o cavalo só receberá 0,5 mg de Selênio, ou seja, um quarto do seu requerimento diário,” ilustra Crandell.
Se um cavalo se torna obeso com as quantidades mínimas recomendadas, é possível limitar o consumo calórico e ainda assim fornecer os nutrientes vitais, substituindo a ração por um concentrado protéico, vitamínico e mineral, também conhecido por balanceador de dieta, em conjunto com a forragem adequada.
Separar o fato da ficção é algo muitas vezes difícil quando o folclore do manejo nutricional é passado de geração a geração. Quando na dúvida sobre o manejo alimentar dos cavalos, consulte um nutricionista eqüino para esclarecimentos.















