OxalatosBy Kentucky Equine Research Staff · September 27, 2011
A importância de cálcio e fósforo na dieta de cavalos e pôneis é crucial. Juntos, eles compõem cerca de 70% do conteúdo total de minerais no organismo. O Cálcio é importante na formação óssea, na função muscular e cardíaca, na condução do estímulo nervoso além de participar de outras reações metabólicas. É importante garantirmos um adequado consumo de cálcio, porém devemos estar atentos a determinadas substancias que podem impedir a sua absorção, como os Oxalatos, compostos ácidos encontrados em algumas forragens.
Os Oxalatos ligam-se ao cálcio presente no trato gastrointestinal do cavalo, impedindo a sua entrada na corrente sanguínea e, conseqüentemente, o seu aproveitamento pelo organismo. Em resposta à queda dos níveis séricos de cálcio, inicia-se um processo de reabsorção óssea permitindo que se mantenham normais as funções musculares e nervosas em detrimento do sistema esquelético.
Diversas gramíneas tropicais e subtropicais são ricas em oxalatos, entre elas as Brachiarias humidicola e decumbens, o Kikuio (Pennisetum clandestinum), a Setaria asceps cv.Kazungula, Panicum maximum cv. Colonião e Digitaria decumbens cv. Transvala, entre outras.
Normalmente, a ingestão destas gramíneas não é um grande problema, a menos que representem a maior parte das forragens disponíveis ao consumo ou que sejam mais palatáveis que as forragens presentes na pastagem. A concentração de oxalatos nas plantas depende das condições climáticas e da qualidade do solo. Os oxalatos tornam-se mais tóxicos à medida que a planta se torna mais madura. Em pastagens de verão, a concentração de oxalatos pode se elevar enquanto os níveis de cálcio diminuem.
O envenenamento por oxalato pode ocorrer de forma aguda ou lenta. Dependendo da ingestão ocorrer de forma aguda ou cumulativa, os sinais clínicos podem surgir imediatamente ou de 2 a 8 meses após o consumo de forragens ricas em oxalato. O grau de envenenamento dependerá também de outras variáveis como o status nutricional do animal e a quantidade de cálcio na dieta. Os sinais típicos do envenenamento por oxalato são dificuldade em respirar, prostração, depressão, gastroenterite e diarréia. Cólicas severas podem ocorrer em casos de alta intoxicação. Na necropsia, normalmente podem ser encontrados cristais de oxalato de cálcio presente nos rins e outros tecidos e órgãos.
A segurança de uma dieta contendo oxalato dependerá da sua relação com o cálcio. Uma dieta que apresente uma relação cálcio:oxalato de 0,5:1 ou maior é geralmente considerada segura. Algumas gramíneas como Kikuio, pangola e panicum, por exemplo, apresentaram relação cálcio:oxalato de 0,23:1, 0,37:1 e 0,32:1, respectivamente, indicando um perigo em potencial. Outra forma de determinar a segurança de determinadas gramíneas se dá pelo calculo do percentual de oxalato presente na matéria seca da dieta. O consumo total de oxalato não deve ser maior que 0,5% da matéria seca da dieta.
O oxalato é extremamente prejudicial principalmente durante as fases de crescimento, desmame e sobreano, assim como para éguas em lactação devido a elevada demanda de cálcio nestas fases. O desenvolvimento ósseo de animais jovens ficará totalmente comprometido em caso de deficiência de cálcio. Da mesma forma, éguas em lactação alimentadas com dietas contendo oxalato produzirão leite deficiente em cálcio para os seus neonatos, contribuindo para o aparecimento de doenças ortopédicas desenvolvimentares.
A alfafa é uma importante fonte de cálcio, e é freqüentemente fornecida aos cavalos que necessitam de uma dieta rica em minerais e energia. Apesar de também conter oxalato, a alfafa possui uma relação cálcio:oxalato de 1,5:1 e, de acordo com Hintz e colaboradores (1984)2 , não foi encontrada qualquer redução na disponibilidade de cálcio em animais alimentados com alfafa proveniente de diversas áreas dos Estados Unidos.
O enriquecimento dos alimentos será de pouca utilidade caso os cavalos estejam, ao mesmo tempo, consumindo sustâncias que causem uma redução no aproveitamento de vitaminas e minerais. Sendo assim, toda a atenção deve ser dada na redução da exposição dos cavalos a forragens contendo oxalato. É importante consultar um agrônomo especializado que possa identificar a presença destas forragens no pasto. Além disto, uma avaliação da dieta deve ser feita pelo seu Veterinário ou Nutricionista caso o consumo de tais forragens não possa ser evitado.
Referências:
1 Lewis, L.D. 1996 Minerals for horses. In: Feeding and Care of the Horse (2nd Ed.).p.23 Willians and Wilkins, Philadelphia, PA.
2 Hintz, H.F., H.F. Schryver, J. Doty, C. Lakin, and R.A. Zimmerman. 1984. Oxalic acid content of alfalfa hays and its influence on the availability of calcium, phosphorus, and magnesium to ponies. J. Anim. Sci. 58:939.















